Quem sou? Sou uma mulher que Ama ao Pai, cristã, católica, filha de Maria, Mãe, esposa, dona de casa, profissional e por aí vai. Sou como tantas outras.
Meu testemunho de fé e vida, porém, se reporta a escolha que fiz ainda pequena: ser cristã e católica. Amar a Deus , respeitar os mandamentos, ser fiel, pelo menos buscar isso incessantemente, foram escolhas que vieram agregadas ao meu destino.
Penso que Deus me escolheu ainda no ventre de minha mãe, pois desde pequena me sinto protegida por ele, numa convivência íntima e muito pessoal. Mais tarde, já quando caminhava para a maturidade pude perceber que essa intimidade se estende a Nossa Senhora e a São José, a quem peço sempre que adote minha família também para ajudar-nos a sermos santos, pelo menos caminharmos nesse sentido.
Pois bem. Meu testemunho: Nasci em um lar que era praticante do espiritismo de Kardec. A família de meu pai há décadas, muitas, vem praticando o espiritismo, com cultos domésticos, presença em centros, etc. Minha mãe como a regra daqueles que se casavam em seu tempo, após o casamento seguiu a fé de seu esposo. Nesse lar nasci. Terceiro filho, sendo a única menina, fruto de um casamento infeliz, com pessoas diferentes que não conseguiram realmente viver o matrimônio. Meu pai apesar de ser um homem honesto, dedicado ao lar, cumpridor de seus deveres de pai não conseguiu ser um bom marido, foi infiel do início ao fim do casamento. Minha mãe, que era muito nova ao casar, passou a conviver com a família do marido, praticar ou pelo menos fingir que praticava a fé deles, tornou-se uma dona de casa exemplar, mãe dedicada, mas esposa infeliz. Assim, viveram por dezoito anos até que a separação aconteceu, infelizmente, mas dando a alforria que tanto precisavam, depois de tantos anos de desgaste psíquico e emocional.
Criada nesse lar, ainda muito pequena, não desejava aquela “religião”, não encontrava o papai do céu ali naqueles cultos, sessões, etc. Minha mãe por sua vez sempre que tinha oportunidade ia a igreja católica e me levava, oportunidades em que me encantava com as missas, casamentos, batizados e primeira comunhões que assistia. Assim que cresci um pouquinho passei a frequentar uma, que a época ainda era a Paróquia de Nossa Senhora da Abadia, hoje Santuário de Nossa Senhora da Abadia. Logo, aos dez anos de idade, ano em que meus pais se separavam, entrei na catequese e sem entender bem passei a desfrutar de uma intimidade ainda maior com Deus. Sempre me reportei a Deus como alguém presente, ali do meu lado, perto, muito perto.
Depois minha vida foi uma sucessão de erros, acertos, problemas, soluções como a de todos nós. Eu porém, na minha intimidade com Deus e com a Igreja Católica não me desvirtuava de minha certeza, ali era meu lugar, Deus era e é meu refúgio e fortaleza e Nossa Senhora o exemplo de mulher e ser humano que um dia desejo ser.
Aos trinta anos tive outro encontro com Deus, e dessa vez Maria veio pessoalmente me resgatar do inferno do mundo. Estava passando por uma séria crise pessoal e em meu casamento, meus três primeiros filhos ainda pequenos, uma situação financeira completamente desestabilizada , uma marido infiel, meu pai envolvido com seu quarto casamento, meus irmãos com suas vidas pessoais, numa busca desenfreada pelo sucesso e por dinheiro e minha mãe, como Julgadora titular da minha vida, pronta a me lembrar sempre e a todo momento dos meus defeitos e erros. Não era absolutamente o que podemos chamar de um bom momento! Eu, particularmente havia desistido de viver, passava o dia pensando em como seria mais fácil desistir de tudo e de todos e me envergonhava disso diante de minhas conversas com Deus. Olhava para meus filhos pequenos e via meu mundo desabar. As dificuldades eram muito grandes e a minha fé estava abalada, sem luz, sem entusiasmo. Ainda assim, não deixava de ir a missa todos os domingos, levando meus filhos comigo e clamava ao Pai para não me abandonar. Ele era meu único refúgio e certeza. Só nele via saída, faltava força para entender a resposta, mas eu sabia que havia.
Importante fazer uma pausa para consignar que meus filhos nasceram e são criados ao pé da Cruz. Peço a eles que Deus esteja sempre em primeiro lugar na suas vidas, que entreguem-se a bondade e a misericórdia dele, confiando, crendo e merecendo-a. São realmente filhos de Deus, e sei que não faço mais do que ter tido a honra de ser veículo para que o Pai pudesse trazê-los ao mundo para que vivam a vida que lhes reservou, com suas graças, bênçãos e santidade. Também são seres humanos conscientes que possuem uma obrigação de fidelidade e amor a Deus e ao próximo, e que devem cultivar valores verdadeiros e não mundanos, bem como sabem da importância de seus exemplos e atitudes como ser cristão, católico e social.
Sei que foi a fidelidade a Deus que me tirou do fundo do poço onde fui deixada pela vida, pelas pessoas, pelo mundo. Num encontro muito próximo com Deus, e numa experiência pessoal com Maria pude ver minha força ressurgida no auge dos meus problemas, quando entreguei a vida, adormeci, literalmente, como a última das mulheres e acordei como uma filha predileta de Deus, forte, cheia de esperança, com muita vontade de vencer e viver. Digo que foi o sono da nova vida. Naquele dia venci o mau, e depois disso, não posso dizer que a vida seja fácil. Fácil não é, mas é vida. Vida difícil, cheia de batalhas espirituais, materiais, pessoais, familiares. A diferença são as armas que hoje uso, minha fé e entrega a Deus e ao que determina para minha vida e dos meus. Pertenço a Deus, tenho essa certeza, pronto. Peço a ele as providências, a luz para as escolhas, os caminhos, a capacitação, a paciência e a persistência necessária para dominar os deveres para com o mundo material.
Mais ainda, quando as coisas estão difíceis demais, sejam elas de natureza pessoal, profissional, familiar, financeira, costumo tomar um café com Jesus. É isso, paro tudo, chamo ele numa conversa pessoal e lhe digo: -Pai, o Senhor tem grandes problemas, hein! Me ajuda a ser veículo para resolvê-los, me aquiete o coração, acalma a minha alma e me mostre o que fazer, se preciso fazer algo, como agir, ou se é necessário ficar quieta. Peço a ele direção.
Aprendi com umas palavras que ouvi do Padre Jonas Abbib e da Luzia Santiago, a pedir a Deus nesses momentos difíceis para ser como Maria, que deixou-nos o exemplo de silêncio, trabalho e oração.
Sei da minha pequenez como ser humano, do quanto somos suscetíveis, pecadores, mas não me entrego a isso. Decidi cumprir com fidelidade o papel que Deus me deu como mãe, esposa, profissional, cristã e tenho me esforçado para isso. Às vezes me questionava da minha pouca dedicação a Igreja, a presença nas missas, os grupos de orações, mas aprendi a fazer das minhas limitações um exercício de paciência, vou entregando tudo a Deus, suplicando para que ele me capacite e me conduza a melhorar em tudo. Sei que a cada dia posso melhorar algo, vou devagar mas vou.
Se Deus me escolheu e tenho certeza disso, também eu o escolhi. Ainda pequena fiz uso do livre arbítrio dado a nós, seres humano, e escolhi ser dele. Assim quero viver e morrer, nos seus braços, debaixo do seu manto e da sua misericórdia. Creio nisso.
Ituiutaba-MG, 09 de maio de 2011.
Dr. Nívea Fernandes de Lima Machado.
Advogada e mãe de participantes do Projeto Ação Jovem