caravaggio extase de s francisco“Irmãos, não queremos deixar-vos  na ignorância a respeito dos mortos, para que não fiqueis tristes como os outros, que não tem esperança”

Hoje, nas grandes e pequenas cidades, os cemitérios ficaram lotados por pessoas visitando os túmulos dos entes queridos que um dia partiram, deixando para trás saudades.

Pude notar que o cemitério de minha cidade está cada dia mais grande, ou seja, passa ano e entra ano ele vai crescendo, se transformando  num grande “jardim” de pessoas.  Ali pode visitar os túmulos de meus parentes que já se foram: avós, tios, sogro… e olhando os túmulos destas pessoas vejo as fotos, as homenagens, as orações, mas no fundo o que resta mesmo são apenas lembranças, da vida, das histórias, do convivio, das alegrias e tristezas, dos ensinamentos…

Estas coisas ficaram impregnadas em minha mente, as imagens de quando eu sentava no colo de minha avó, de quando eu contemplava o olhar do meu avô, e da beleza do meu tio, enfim, tudo isso passou, e encerrou-se com a morte destas pessoas.  Porém algo que brota no coração é a esperança na Palavra do Senhor:

“Eis o que temos a vos dizer, de acordo com a palavra do Senhor; nós, os vivos, que ficarmos em vida até a vinda do Senhor,  não passaremos à frente dos que tiverem morrido. Pois o Senhor mesmo, à voz do arcanjo e ao som a trombeta de Deus, descerá do céu. E então ressuscitarão, em primeiro lugar, os que morreram em Cristo, depois, nós, os vivos, que ainda estivermos em vida, seremos arrebatados, junto com eles, sobre as nuvens, ao encontro do Senhor, nos ares. E assim estaremos sempre com o Senhor.” Ts 4,15-17

Para quem vive nesta terra aproveitando os bens terrenos, a morte pode ser algo amargo para suas vidas, porém, nós que somos chamados a viver nesta esperança, é algo que nos leva a refletir no que estamos sendo aqui na terra, no que temos colocado e investido nosso tempo, nossa vida. Um dia vamos ao encontro do Senhor, seja Ele vindo até nós ou nós indo até Ele, disso ninguém pode escapar.

Um dia num encontro, o fundador de nossa comunidade pergunta: “quem quer morar no céu?” Todos, ou quase todos, levantaram as mãozinhas e até as duas mãos, indicando que querem morar sim no céu, mas quando vem outra pergunta: “quem quer ir morar no céu hoje?” Ai as mãos abaixam simultaneamente, com risos meio egocêntricos.

Então é tempo de voltar as raízes, lembramos de onde viemos e para onde vamos, a saudade é algo bom, mas é preciso ir além. É preciso lembrar que somos pó, de nada adianta os bens materiais que temos aqui na terra, é preciso cultivar os bens espirituais. Missas, adorações, orações, caridade e amor ao irmão, fraternidade, amizade, atenção, disponibilidade, despojamento de si, convicção na fé, enfim, estas coisas não passarão.

Cristo venceu a morte na cruz e nos garantiu a vida eterna. O que temos feitos para alcançarmos esta vida eterna?

Veja o momento da morte de São Francisco de Assis:

Aproximando-se a hora derradeira, Francisco deseja ser levado para a capelinha de Nossa Senhora dos Anjos, na Porciúncula, onde tudo havia começado. Lá, num gesto de despojamento, de identificação com o Cristo crucificado e de integração com o Pai, pede que o deixem, nu, sobre a terra e diz aos frades: “Eu cumpri a minha missão. Que Cristo vos ajude a cumprir a vossa”. Despede-se de todos os irmãos; abençoa-os; lembra-lhes que “o Santo Evangelho é mais importante que todas as demais instituições”. Anima o seu médico, dizendo-lhe: “Irmão médico, diz com coragem que a minha morte está próxima. Para mim, ela é a porta para a vida!” E, então, canta o Salmo 142.Francisco parte cantando, cortês, hospitaleiro e reconciliado com a morte.

A canção diz:

“Sou estrangeiro aqui, o céu é meu lugar, é de onde vim, é pra onde vou, é lá onde eu vou morar.”

Então vamos unir nossas dores as dores de Jesus e buscar cada dia mais nos reconciliar com a “irmã morte”  e saber que um dia seremos felizes na glória de Deus.

Seu irmão,

Adelmo A Alkimin