Vamos refletir e conhecer sobre os dons do Espírito Santo, pois só amamos aquilo que conhecemos.

pentecostes-fogo

O dom das línguas

“falarão novas línguas” (Mc 16,17)

De minha parte, desejaria que todos falásseis em línguas…” (1Cor 14,5)

O dom das línguas é, certamente, o mais comum dos carismas, mas é também o mais estranho. Sempre houve mal-entendidos e polêmicas em torno dele, desde a sua primeira manifestação diante do cenáculo de Jerusalém.

O dom das línguas nasceu com a própria Igreja:

No Antigo Testamento e mesmo durante a vida de Jesus, não se faz menção ao dom das línguas. Jesus, porém, prometeu este dom antes de voltar para o Pai: “aos que crerem os acompanharão estes  milagres… falarão novas línguas” (Mc 16,17). E foi no Pentecostes, que os apóstolos tiveram uma experiência com concreta e ouviram também as reações controvertidas do publico. “…e ouviu-se subitamente, do céu, um ruído semelhante a um sopro de vento impetuoso, que encheu toda a casa onde eles estavam. E apareceram-lhes como que línguas de fogo, as quais, repartindo-se, pousavam sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo, e começaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito Santo lhes concedia que se exprimissem.” (At 2,2 seguintes) . Esta foi a primeira manifestação do dom das línguas, coincidindo com o aparecimento da Igreja.

O dom das línguas era comum na Igreja primitiva:

Depois do Pentecostes, o dom das línguas difundiu-se também entre os simples cristãos. Encontramo-lo, por exemplo, na família de Cornélio (At 10,46) e entre os neófitos (At 19,6), sempre como manifestação do Espírito.

Paulo, na primeira Carta aos Coríntios, fala do dom das línguas como de um fenômeno comum naquela comunidade e lhes escreve a respeito, não para proibir o exercício deste dom, mas para disciplinar o seu uso nas reuniões.

Ele mesmo diz ter recebido este dom em maior abundância que qualquer outro: “graças a Deus, eu falo em línguas mais do que todos vós…” (1Cor 14,18). Mas ele quer que seja um dom para todos: “de minha parte, desejaria que todos falásseis em línguas” (1 Cor 14,5) .

O que é o dom das línguas?

O que significa “falar em línguas”, “novas línguas”, “possuir o dom das línguas?”

O dom das línguas ou glossologia é, antes de mais nada, uma oração que se faz a Deus. Não se trata de discurso, dirigido à comunidade. É forma de glorificação, não de pregação.

No Pentecostes os carismáticos do cenáculo, ao falarem em línguas, glorificaram o Senhor e não se dirigem à comunidade. Pedro, sim, fala para a comunidade, mas na língua nativa de cada um. Paulo diz: “quem fala em línguas, não fala aos homens mas a Deus; ninguém o compreende, e pelo Espírito ele diz coisas estranhas” (1Cor 14,2).

Trata-se de uma oração pessoal, entre nós e Deus, mesmo se feita juntamente com outros. “Quem fala em línguas, edifica-se a si próprio” (1Cor 14,4).

Ao orar em línguas, a pessoa não fica estático, nem entra em transe, mas simplesmente continua no pleno domínio de suas faculdades, sabendo perfeitamente o que está fazendo. Ele é livre, podendo, portanto, começar e terminar quando quer. Pode também repetir ou interromper a oração como e quando lhe aprouver. Ele ora como outro cristão qualquer, com a única diferença de empregar uma linguagem desconhecida.

O dom das línguas é uma oração especial para a qual somos movidos pelo próprio Espírito (1Cor 12,11). Ainda que não se lhe compreenda o significado, percebe-se que se trata de uma oração pessoal. Verifica-se, pois, uma nova dimensão da oração. Poucas frases bastam para que aquele que recebe o dom, se sinta envolvido por um mistério e possuído por um profundo sentimento de alegria e paz. A presença de Deus se torna aconchegante, indiscutível e quase palpável.

Para que serve o dom das línguas?

São Paulo nos diz para que serve o dom das línguas: “de maneira semelhante é que o Espírito vem em auxílio de nossa fraqueza, pois não sabemos o que devemos pedir como nos convém, mas é o próprio Espírito que implora por nós com gemidos inefáveis. E aquele que prescuta os corações sabe qual é a intenção do Espírito, pois é de acordo com Deus que intercede em favor dos santos.” (Rm 8,26-27).

Trata-se, da oração que o Espírito preparou para suprir nossa fraqueza, incapacidade e ignorância, ante as nossas próprias necessidades e as da comunidade.

O dom das línguas é a chave que abre as portas para todos os outros dons do Espírito Santo. Pois é o meio mais fácil de deixar plena liberdade ao Espírito para glorificar a Jesus e ao Pai, através de nós.

Quando se recebe o dom das línguas?

Não há regra fixa. Alguns o recebem simultaneamente com o batismo no Espírito. Enquanto o grupo ora sobre eles, sentem indescritível alegria interior que subitamente se exterioriza mediante frases estranhas e insólitas.

Outros há que recebem este dom após alguns dias ou algumas semanas, nas circunstâncias mais diversas, como, por exemplo, durante a oração, as ocupações rotineiras, passeios ou mesmo durante o sono.

Como se recebe o dom das línguas?

É necessário que o receptor colabores com o Espírito Santo doador.

Também é uma iniciativa divina e humana. Costuma-se dizer: “nada poderás fazer sem o Espírito e este, sem ti, também nada fará”.  O Espírito outorga os elementos essenciais, ou seja a matéria e a forma da oração. A nós nos cabe dispor dos meios acessórios, tais como: a vontade, a voz, a coragem de falar etc. A nossa cooperação, naturalmente, é indispensável. Para uns, ela se torna fácil, para outros, requer esforço muito grande e paciente. A fim, porém, tanto uns como outros atingem o escopo.

Quando rezar em línguas?

Tratando-se de uma oração particular, pode-se fazê-la sempre que se queira; quando você estiver tomando banho, estiver dirigindo, estiver sozinho, em oração, ou em reunião com seu grupo ou comunidade. Em todos os momentos é possível estar orando em línguas, mas é necessário que se tenha prudência, porque quem não conhece pode ficar confuso. Seja cauteloso!

A oração em línguas não substitui as outras orações, mas as prepara. São Paulo nos exorta a rezarmos sempre no Espírito: “por meio de toda a espécie de orações e de súplicas, orai incessantemente movidos pelo Espírito” (Ef 6,18)

Pode-se perder o dom das línguas?

O dom das línguas, é dado de maneira permanente e sempre. Contudo, se esse dom não for exercitado, pode-se perdê-lo como se  pode perder ou esquecer qualquer língua que se aprendeu na escola. O dom das línguas é como um talento o qual, não sendo negociado, poderá ficar enterrado na terra.

Cantar em línguas

Alguns, juntamente com o dom das palavras, recebem também o dom do canto. Em geral, faz-se ouvir uma melodia simples, primitiva, de sabor oriental. Esse dom é completo, mas requer também uma cooperação.

*Retirado do livro:
O despertar dos carismas, uma surpresa maravilhosa para a Igreja de hoje
- Paulus,S. Falvo, 12ª edição

Façamos uso deste maravilhoso dom que Deus nos deu para a nossa edificação e santificação. O menor dom, porém a porta para todos os outros dons, até chegar ao maior dom do Espírito Santo: O Amor.

Deus abençõe

Adelmo A Alkimin